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Rodrigo Rossi, fotógrafo e jornalista
Com oito capítulos, O Refúgio Atômico (Netflix) estreou no Brasil na última sexta-feira (19/09) com grande aclamação do público nacional. A série de ficção científica traz um elenco majoritariamente espanhol, com atores como Carlos Santos (Rafael Varela) e Miren Ibarguren (Minerva). A crítica especializada não promoveu ao seriado as maiores notas, com 29% de aprovação no Rotten Tomatoes e 5,3 sobre 10 no IMDb. Apesar disso, virei fã do seriado, que foi escrito pelos mesmos criadores de La Casa de Papel, Álex Pina e Esther Martínez Lobato.
SPOILER: Na trama, Minerva é a figura central do apocalipse. Ela construiu, ao lado de uma pequena equipe e de um irmão ardiloso, um plano audacioso para enriquecer após uma infância na qual foi abandonada pela mãe e passar dificuldades em orfanatos e casas de adoção. Ela é a idealizadora do Kimera Underground Park, um bunker subterrâneo construído com recursos privados obtidos de dezenas de multimilionários de todo o planeta. Diante de um cenário em que uma Guerra Nuclear está próxima a eclodir, todos estes multimilionários são chamados para dentro do bunker, onde perdem acesso aos celulares e ficam reféns das informações disponibilizadas pela Kimera e pela IA Roxán, programada por Ziro, irmão de Minerva. O plano é conquistar o coração e o medo das pessoas mais ricas do planeta, fazendo-as reféns no bunker, sem que percebam que são reféns. Enquanto o planeta está em paz, sem guerra nuclear alguma, Minerva e sua equipe trabalham para extorquir dinheiro dos multimilionários. No capítulo final, eles conseguem US$ 900 milhões.
Mas a trama não envolve só Minerva, Ziro e os multimilionários como um único expoente. A minissérie traz muitos personagens paralelos que têm envolvimentos e romances. Max, um ex-detento, filho de Varela, encontra Asia, uma mulher do seu passado. A irmã de Asia, Ane, foi esposa de Max, mas o rapaz, então aos 19 anos e alcoolizado, matou a própria companheira em um acidente de carro. Asia se sente atraída e, simultaneamente, com raiva de Max. As feridas eclodem em cada um dos oito envolventes episódios da série, que traz reviravoltas e tramas elaboradas. Separações entre casais ricos, romances proibidos, uma mulher que é a amante - e que morre - e outra que é viciada em morfina - e que é responsável direta pela morte de Mimi. Homens que são irmãos e que, ainda assim, discutem e se embebedam. Socos, brigas raçudas, tasers e muito sangue. Tudo isso em meio a um conflituoso universo subterrâneo pós apocalíptico, com vigilância 24h em tempo real e uma teia complexa de mentiras.
A trama se sustenta em dois arcos principais, que são a conquista do golpe de mestre idealizado por Minerva e a tentativa de escape de Max do confinamento. Ele, como ex-detento, sempre duvidou sobre a veracidade das informações apresentadas pelo Kimera Underground Park. Na última cena do oitavo episódio, Max abre a porta externa e sente o sol em seu rosto. Não sabemos o que ocorre a seguir, nem mesmo se haverá uma segunda temporada, embora os criadores já tenham afirmado que ela está parcialmente escrita. Todavia, se for confirmada pela Netflix, dificilmente chegará aos assinantes brasileiros antes de 2027.
